4.04.2009

inspiração

Culpa bem vinda dos meses de inquietação
Minha fome nunca cessa enquanto há dor
Minhas frases nao combinam com amor
Desejos sujos nunca são minha intenção
Meus cumprimentos sempre são o meu perdão

Minhas horas de diversão são agora sem paixão
Meus dias sem graça ocupam o calendário em toda sua extensão
Folgas são intervalos sem descanso em coração
Sentimentos são ações com intenção

Onde está o garoto compaixão
Pra onde vão minhas almas que aqui não estão
E hoje penso onde está minha inspiração.

1.23.2009

the meaning of meaningless

Eu estava sentado, fumando um cigarro de frente para àquela construção, de nível mediano, pensando estar inserido apenas em uma situação contemporânea, onde o vício encontrava o sagrado, quando de algum lugar surgiu em minha mente um pensamento não estranho, mas que me deixou mais lento, vagarosamente pensante. “A vida não é boa”. Eu contemplava a construção de um modo estranho e pensava que aquilo se espalhou ao longo dos séculos ao redor do globo e metamorfoses aconteceram, mas elas ainda estão por todo lugar. “A vida simplesmente não é boa”. Qual outro motivo eu poderia pensar pra justificar o fato que tinha pensado segundos atrás? Um local que promete te salvar: estamos todos perdidos. A vida não é boa. Ou estamos dentro de uma filosofia religiosa ou estamos dentro de outra filosofia. Pensamos demais e por isso a vida não é boa? Ou ela simplesmente não é, de fato, e criamos algo para suportarmos o peso de, simplesmente, viver? Temos uma filosofia, uma ideologia, seja ela religiosa ou não, e o fato de termos uma filosofia que nos conforte de algum modo seria a prova latente de que a vida simplesmente não é boa. Ter uma filosofia de não ter filosofia também caracterizaria uma filosofia: a de não te-las. E esta conforta? Ou talvez devo não pensar tanto, e essa sim, seria a vida boa. Não sei.

5.22.2008

Não sei mais o que quero

Não sei mais o que quero. Acho que quando se chega a esta expressão é quando podemos dizer “Estou perdido”. Não sei se quero chocolate quente ou um abraço. Não sei se quero muito ou quero pouco. Não sei se quero ou se não quero. Se vivo ou se morro. Então volto a pensar que posso aprender a querer, mas posso nunca conseguir e então não sei quando estou perdido. Se eu disser que nunca me senti assim mentiria. Se fosse boa pessoa não escreveria, pois nunca sei quando falo a verdade. Os sentimentos se entrelaçam e me escondem do que sinto. Pode ser confuso se você não levar em conta que o que sente nem sempre é genuíno e penso que os sentimentos mascarados sempre estão a minha volta. Se eu souber discernir o que é certo do que é errado posso ter alguma chance de fazer o certo, e ainda assim errar. Porque? Dizem que há grandes mistérios espalhados pela humanidade. Não quero descobri-los. Minto, quero. Mas quero mais descobrir quem sou, o que quero e porque quero. E sinto que dentre os grandes mistérios da humanidade, este está entre eles. E não fecho a dúvida em mim. Reconheço-a como a recebo em toda sua riqueza. Se me faz sofrer, ainda posso tirar algo que me faça rir. Se dói, posso esperar. O tempo nem sempre é a resposta pra tudo, mas pra algumas coisas sempre será. Talvez não em forma de resposta, mas de esquecimento. Saúdo minha coragem de tentar entender-me e de afirmar sentenças sobre tempo. Na verdade perdoa-me. Sei que não sei de nada.

10.25.2007

meu grito sem som

Você sabe o quanto de tudo sentiu, tentando firmar esse seu egocentrismo e essa vontade de firmar esse orgulho por sentimentos de pontos múltiplos? Mas você nem sempre consegue se livrar de bumerangues lançados, você não tem quatro braços pra se defender de todos, e mesmo sabendo disso, você continuou frisando a necessidade de não calar a sua boca, e de dizer coisas que não fazia sentido, mas nem sempre você estava preocupado, porque você nunca teve realmente que se defender do que disse, e ficar quieto era sempre uma boa alternativa a todas as suas besteiras.

Quando você disse que deveria estar sentindo algo, não deveria ter importado realmente, nem ter dado tanta atenção ao que não se pode ver, porque ser abstrato sempre foi uma característica muito sua, que você amava defender de todas as formas possíveis, até mesmo quando você não tinha razão, e acredite, você nem sempre tinha razão, eu tentei por tantas vezes abrir seus olhos, mas você nunca quis realmente ter entendido qualquer situação nem esclarecer qualquer problema que tenha surgido pelo caminho. Aliás, você sabe o que significa “resolver um problema”?

Mas eu devo lembrar, ainda que você possa ficar muito chateado com isso, que manter seu orgulho por conquistas podem ter várias óticas, e como mentiras, só funcionam em curto prazo. Você não resolve problemas, você os tapeia, e você precisa aprender que tapear problemas são soluções temporárias, como eu, como você, como nós. Quando eu quis cortar suas asas, eu consegui, eu sei que você nem sentiu porque nem tentou voar, mas todas as coisas que eu lembrei sobre você só firmavam ainda mais o que eu nunca quis saber.

E eu fiquei nesse meio sem saber o que acontecia por algum tempo, porque eu fui capaz de me cegar com vontade, e admitindo tudo. Quantas vezes você foi capaz de ser frio? Você sabe o quanto de tudo o que eu falo é verdade, mas seria besteira afirmar pra você que nada disso tem tanta importância agora. Você nem sempre se sente confortável ao receber as verdades que se concentram na sua vida, e o desconforto da verdade só pode acontecer quando se vive mentira, e todas as mudanças são de fato, desagradáveis.

E o que você achou que eu pensei quando você me disse que tinha medo? Eu sei que eu acabei acreditando em todos os seus clichês, e ainda que já tivesse visto em todos os filmes sem graça – todos com final feliz – eu acreditei. Mas eu sei que você tem medo, você realmente tem medo, mas como pra você tudo deve ser ao avesso, você tem medo só do que não deveria ter, e sempre acaba entrando pelos lados e virando ao contrário o que poderia ter sido tão simples. Só por ter medo de quase tudo, e do que deveria ter, não teve. Você deveria ter tido medo da minha reação, e de como eu veria o seu rosto dois meses depois, porque eu não preciso me preocupar com a minha reputação, enquanto posso afirmar meu caráter.

Eu prometo que eu vou continuar muito curioso sobre seus caminhos e sua vida, porque eu não sinto nenhum gosto quando levanta o cheiro de vingança, e você não precisa me acusar disso, como se eu fosse dessas coisas, é apenas curiosidade. E todo o tempo do mundo não seria suficiente pra assistir a tudo em câmera lenta, porque cada detalhe do que passou eu guardei pra eu usar, não contra ninguém, apenas a meu favor. E testar você é a última coisa que eu faria, nem que eu tivesse coragem de refazer tudo, nem que eu tivesse medo, e nem que ele fosse comparado ao seu.

à ela que não sei quem é

Ela chegou, sem discurso algum que pudesse me deixar constrangido, e foi dizendo que nada do que havia falado era de dentro, era simples, puro, que teria algum significado. Eu fiquei imóvel próximo à estante de vidro, não sabia o que dizer. Que sentimento era aquele? Nenhuma palavra fria que eu dissesse a ela tiraria toda autoridade cruel que a possuía naquele momento. Eu não era ninguém por um único motivo: ela era quem me transformava em ninguém, e naquele momento único (que Deus há de deixar como está), eu senti uma coisa que não era afeição, nem medo, nem qualquer outra coisa que pudesse dar-se nome, mas também, pouco importava o que eu sentia, se eu nem mesmo era. E quem seria eu pra dizer que devo sentir algo? Talvez eu seja só uma estatística singela, sem graça, de algum livro de ciências humanas furado por traças. E eu não queria ser nada daquilo.

Eu era algo muito mais intenso do que achava, mais rude comigo que qualquer outra pessoa tenha sido em minha vida toda. Meus sentimentos eram meus, porque faziam mal apenas a mim. Sempre tentei fugir do que eu quis, mesmo sabendo que nunca conseguiria. O que dizer a alguém que deixei há muito tempo pra trás? Fazer parte do meu passado não deve ser nada fácil, porque eu cismo em agarrá-lo todo o tempo, sou assim, como dizem, um museu.

Eu tenho 21, sou velho, cansado, rabugento e errado. Quem dera estivesse errado sobre tudo o que penso. Não tenho muito que falar, mas mesmo assim falo demais. Não sei dizer se o que fiz está errado ou se tudo o que faço é erro. Eu fui simples um dia, hoje sou complexo, sou louco. E gosto de ser. E não gosto de ser. Querer tudo ao mesmo tempo sempre foi um dos meus grandes defeitos.

Que diabos, vamos voltar a ela. Ela disse adeus, mas também adeus é algo que nunca me chocou tanto, o que seria de mim sem todas as despedidas? Fomos feitos para nos despedirmos. Nascemos pra nos despedirmos, porque quando não somos nós, sãos os amigos que vão. E às vezes, parece-me triste nascer para enterrar meus pais, é só um ciclo. Acho que a vida seria bem mais perfeita se eu enxergasse o mundo de muito longe, da lua talvez. E enxergasse cada pessoa como sendo apenas um pedacinho de um sistema gigante, e não me apegaria a ninguém, porque não conheceria ninguém, só de vista, assim, de bem longe. E eu nem ficaria triste se um deles sumisse, porque se eu ficasse triste a cada velório da minha cidade, teria que ficar triste algumas três vezes por dia, e quem pode ser mais triste que eu?

Não sei porque cismo em dizer que sou triste, se nem sou. Eu sou alegre, geralmente, só estou triste hoje porque estou cansado, e foi um belo dia, e como todo belo dia, contraditório, cansativo. Chuvoso, esse é meu tempo. Não choveu porque eu não quis, mas dentro de mim sempre chove, minha vida é meio molhada, eu acho, como se fosse assim, uma roupa encharcada, desconfortável, que faz adoecer. Embora eu nunca quis ficar doente.

Ela sabia falar muito bem, era de uma retórica aristotélica, sabia usar as palavras como um candidato a presidência da república, ou ao grêmio estudantil, e quem não a conhecesse, diria que estudou em Harvard, Virginia e leu muitos livros. Eu? Oras, eu sempre fui esse pobre coitado, que embora esteja louco pra falar dela, só consegue falar de si mesmo, sempre captando atenção do pior modo. Sou assim, meio perdido nos assuntos, não consigo dizer nada do que quero, mas consigo enrolar como ninguém. Desde pequeno gostei de patinar, é um hobby, patinar e não sair do lugar, nunca. Evoluir? O que seria evoluir pra alguém assim, pequeno, um pingo como eu? E olha que eu nunca consegui convencer ninguém. Minhas idéias são minhas e assim como meus problemas, só compartilho comigo mesmo, eu gosto disso, gosto de ser estranho, gosto de que não gostem que eu seja estranho. Porque ser estranho não é pra qualquer um, mas e daí? Todo mundo é estranho. Todo mundo é estranho, pelo menos, pra uma pessoa, ah, isso é.

Sinto-me tonto toda vez que falo nela, meio sem ar, meio sem rumo. Se eu entendesse de oxigenação, diria que a minha está bem baixa, do meu tamanho. Meu peito não bate, porque diferentemente de todo mundo, meu coração fica nos pés, bem embaixo. Escolhi guardá-lo lá, o peito é muito fácil de alcançar, quanto mais fundo, mais longe e mais escondido dos meus olhos ele estiver, melhor pra mim e pra qualquer pessoa que cruza meu caminho. Geralmente tenho medo, mas agüento.

8.24.2007

who I used to be?

Às vezes tenho sérias dúvidas se cresci. Eu sei que é um mundo maravilhoso, só não consigo senti-lo nesse momento. Quero pensar que o passageiro não dura, mas então fico, de repente, desolado pela possibilidade dos momentos bons também serem de mesma natureza. Quero sentir-me vivo, não vegeto, mas minha mente sim, ela, sempre ela. Não consigo pensar direito porque minha capacidade de autonomia tropeça seguidamente nas coisas que penso. E demoro a me re-erguer. Sou fraco muias vezes e finjo. Sou quieto porque discutir não funciona nem comigo mesmo. Minha discussão é vaga, é infla-ego sem motivo. E eu ainda a faço. Não consigo juntar as minhas partes que estão por aí nesse exato momento. Mas eu vou.

Agora só tento lembrar quem eu costumava ser.

Bad friday, that's not a good thing to happen. Eu quero voltar.

8.14.2007

o insensível

Não posso dizer que estou contente, mas estou feliz com o tempo que estou comigo. Não passo mais nada que não acredito, minto e omito. Dislexo. Assim sem a certeza de que pode ser. Perdi a inspiração e agora corro atrás do que deixei. Não fico triste, não, mas parece que tive que trocar a inspiração pelo sentir-se bem. Nunca pensei que poderia me ver como me vejo agora. São estados sólidos, embora temporários, eu sei, mas aproveito cada segundo como se fosse o último de uma safra boa. Não de boas coisas, mas de bons sentimentos que me cobrem, da cabeça aos pés. Sinto-me vivo, não por pouco. Estou. Descobrir-me dentre as coisas que estavam perdidas na minha gaveta é um sentimento que só pode ser descrito assim, sem muito nexo. Eu não entenderia completamente o que quero dizer se não tivesse dito. É viver ou não sentir. Mas aqui estou.

Tenho dias que sinto que o mundo irá explodir em cores vivas de muita coisa que desconheço. Como uma avalanche de novidades boas, embora elas nunca cheguem, elas estão em algum lugar. Acho que é isso que eu nunca entendi. E acho que seu nome é "esperança". Sempre a neguei. Não gosto de esperança. Mas essa atmosfera inebria os meus sentidos e eu não tenho muito controle sobre, e pra falar a verdade, me parece que não quero ter. É bom. Tem que ficar.

Me sinto, e só. Por quanto me basta, já que nada mais tenho pra esperar que possa ser ainda melhor.

8.08.2007

das histórias que contei pra mim - parte 1

Vamos conversar comigo mesmo? Quem sabe o que eu devo dizer? Não se pode pensar duas vezes antes de fazer o que se tem medo, porque o que se faz por impulso é original, não tem pecado nenhum, ou tem. O que eu penso de mim mesmo pode não importar, mas a verdade é que importa, sim. Eu às vezes acho que não sei quem sou, não me sinto como um todo nem fazendo parte de algo. Sou apenas um pedaço de alguma coisa que quis acontecer, mas não deu certo. Sinto. Sinto muito. Sinto demais e às vezes, ou muitas vezes, isso acabada me matando pelos pés. Começa por baixo e logo come meu pescoço, me deixo todo sem eu por dentro, sem mim, sem ser o que eu quero ser, ou o que eu deveria ser. Se for que deveria ser alguma coisa.
Não sinto que posso, mas sei que não sou o que posso, nem quero ser o que não sou. Sou confuso e estou te confundindo, apenas pra me confundir ainda mais no final, que já não é final porque está no meio, teve início. Sim, não estou completamente são nem em poder de todas minhas faculdades mentais, por isso escrevo, escrevo porque foi o que me restou do mundo, não me basta ser o que eu sou, essa metade de algo, portando invento calafrios, invento sentimentos pra poder viver sentindo e fazendo de conta que vivo.
Preciso me condicionar a ser o que sou sem me sentir tão nada. Porque sei que sou. Sou algo, embora não seja completo, sou algo que existe, caso contrário não seria eu e não estaria a escrever que não sei quem sou.
Eu não posso brilhar, nem mentir para os outros sobre o que quero. Minha cara nunca convence e eu estou, sim, em crise existencial. Talvez seja por isso que não sei quem sou. Porque quero a todo o tempo ser tão intenso no que sinto, faço-ou-digo? Posso ser apenas meio termo, assim como sou. Talvez essa coisa seja necessidade de ser completo, então sou intenso pra me completar num todo. Coisa estranha essa coisa de viver, ao certo nem sei se vivo. Talvez eu esteja morto, e os mortos, vivos. Os mortos vivos e cheios de vida, talvez isso seja a morte, doída, seca, descolorada. Deixa-me escrever descolorida? Descolorida, pronto, escrevi. Algumas coisas que quero, eu faço. Preciso fazer só para me sentir um pouco pela metade bem do nada me faz mal. Não sei, não sei de tudo o que escrevo, às vezes o que escrevo é maior que eu, ao menos parece ser.

[continua em algum momento da minha existência...]

4.25.2007

trilha desfile ak's jeans

nao deu.

4.24.2007

1963

era janeiro, 1963, jhonny veio pra casa com um presente pra mim, ele disse "eu comprei pra você porque eu te amo, e também porque é seu aniversário", ele era tão bom, tão gentil, em pensar em mim naquele ponto da história. Eu costumava pensar nele, ele costumava pensar em mim. Ele me disse pra fechar os olhos "meu presente vai ser uma grande surpresa". Eu vi lágrimas em seus olhos, ele nunca quis me ferir.

Jhonny, não aponte essa arma pra mim. Há tantos pontos nos quais nossas vidas mudaram, mas por favor, eu imploro, não faça isso comigo.

Jhonny, não aponte essa arma pra mim. Há algum preço pelo qual eu possa salvar minha vida? Pelo amor de deus, você não vai me ouvir?

E apesar de que ele estivesse com vergonha de ter levado uma vida, ele voltou pra casa com uma outra esposa.  E ele frequentemente lembrava como costumava ser, antes dessa ocasiao em especial, 1963.

Há tantos meios pelo qual você pode matar alguém, como em um caso de amor, quando ele se vai, ele me disse pra fechar meus olhos, "meu presente vai ser uma grande susrpresa", eu vi ódio nos seus olhos. Ele nunca quis me ferir.

Eu só quero que você seja meu, eu não quero que esse mundo brilhe, não quero que essa ponte queime, jhonny, você sente falta de mim? Eu só quero sentir por você, e eu vou sempre sentir por você...

(1963, New Order)